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Por dentro da Operação Drácon: 3ª parte, cap. 9. Final.

Leonardo Bessa e Rodrigo Rollemberg. Foto: internet/divulgação.

9. A PROVA-CHAVE:
OS SEGUNDOS ÁUDIOS
A PERÍCIA NOS ÁUDIOS “ININTELIGÍVEIS” QUE PASSARAM A SUSTENTAR A ACUSAÇÃO


OS ÁUDIOS BATIZADOS
A CADEIA DE CUSTÓDIA E AS FALHAS OFICIAIS

1.  O LAUDO PERICIAL nº 19191/2016 do IC/PCDF: o aparelho celular objeto da perícia solicitada foi entregue “desbloqueado” (fl. 1.367 – item 4. EXAME). Além disso, o aparelho foi disponibilizado à perícia apenas em 02/09/2016, apesar de encontrar-se à disposição do MPDFT desde 29/07/2016, conforme Auto de Apresentação e Apreensão nº 01/2016 – PROSUS (fl. 1.362).
2.  A SAGA DOS ÁUDIOS: a perícia solicitada com a finalidade de atestar a integridade dos áudios degravados não foi sequer realizada na mesma época que a extração dos dados constantes no referido laudo pericial nº 19.191/2016, ocorrida em 02/09/2016. Na verdade, foi realizada quase 30 dias após, mais precisamente em 30/09/2016, e mesmo assim registrou-se, categoricamente, que “os peritos criminais extraíram novamente do aparelho os arquivos de áudio questionados” (fl. 1.384), sequer se podendo afirmar que se tratavam exatamente dos mesmos áudios.
3.  OS VÍCIOS: ao responder aos quesitos formulados pelo MPDFT, os peritos atestaram a inexistência de “EDIÇÃO”, mas não puderam atestar a inexistência de CORTES, SOBREPOSIÇÕES ou mesmo SUPRESSÕES.

“Qual o fundamento da acusação se as supostas vítimas, ouvidas pelo próprio MPDFT, negam ter sido extorquidas pelos denunciados?”

“Por quê o MPDFT realizou um recorte na investigação, deixando de lado o alto escalão do GDF, a Deputada Distrital Liliane Roriz e o demais personagens citados na 1ª fase da investigação, INCLUSIVE DIANTE DA INFORMAÇÃO DE QUE HAVERIA UM “ACORDO” DE R$ 40 MILHÕES COM A PRIMEIRA-DAMA NO ÂMBITO DO PRÓPRIO MINISTÉRIO PÚBLICO?”

“Por qual razão o MPDFT se opõe ao pedido de perícia nos áudios que apresentou à Justiça?”

“Após meses de investigação, o MPDFT concluiu existir um grande esquema de corrupção na Câmara Legislativa do Distrito Federal, mas foi incapaz de encontrar qualquer indício do dinheiro supostamente desviado ou mesmo uma TESTEMUNHA E/OU VÍTIMA que confirmasse a extorsão sofrida?”

“Por quê o MPDFT entende que as supostas referências aos Deputados Distritais devem ser investigadas, enquanto as 40 citações ao Governador Rodrigo Rollemberg e a sua família não justificam nem mesmo uma LINHA INVESTIGATIVA?”

“Quem foi o maior beneficiário com o afastamento da Mesa Diretora da Câmara Legislativa do Distrito Federal?”

Afastamento da Mesa Diretora da CLDF beneficia Rollemberg
No dia seguinte à determinação judicial que tirou, ao menos temporariamente, os opositores Celina Leão e Raimundo Ribeiro, Rollemberg conseguiu emplacar projetos de interesse do GDF. Hoje, a Mesa é comandada por um aliado do governador




SUZANO ALMEIDA

27/08/2016 5:29 , ATUALIZADO EM 27/08/2016 14:22

Para se ter uma ideia de como a vida do Palácio do Buriti foi facilitada na CLDF, um dia após a Justiça decretar o afastamento dos titulares da Mesa Diretora, foram aprovados dois projetos estratégicos para Rollemberg. Um deles, o PL nº 1.108/2016, permitirá ao GDF ampliar financiamentos junto à Caixa Econômica Federal até o valor de R$ 60 milhões.  o PL nº 1.166/2016 autoriza o governo a abrir crédito suplementar de R$ 525 milhões. Os recursos são provenientes da arrecadação obtida com a venda de ações da Companhia Energética de Brasília (CEB).   

Na esteira da Drácon, Rollemberg emplaca projetos na CLDF
Entre 1° de agosto, no retorno do recesso parlamentar, e o dia 23 do mesmo mês, o GDF não tinha conseguido aprovar sequer uma proposta na Casa. Com o afastamento da Mesa Diretora, que era comandada pela oposição, o Palácio do Buriti já contabiliza 14 matérias que passaram pelo crivo dos distritais
SUZANO ALMEIDA

03/10/2016 5:30 , ATUALIZADO EM 03/10/2016 8:29

Por fim, após afastar os deputados que integravam a Mesa Diretora, Rollemberg conseguiu eleger seu antigo aliado Joe Valle e enganar Agaciel Maia, seu suposto candidato, e ainda emplacou aliados na presidência de todas as comissões da Câmara Legislativa.
Agora ele aguarda ansiosamente o resultado do julgamento de amanhã, 3ª feira, pelo Conselho Especial de Justiça do TJDFT, em que se decidirá se as denúncias apresentadas pela PGJ/MPDFT serão ou não recebidas.

Por Dr. Guilherme Pontes com informação do MPDFT, do TJDFT e do Metrópoles.
Advogado e Professor de Direito.


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