Política e Segurança Pública na Capital Federal.

23/05/2017

ESPECIAL: esquema milionário de propina no Mané Garrincha leva à prisão ex-governadores do DF



O Juízo da 10ª Vara Federal da Seção Judiciária do DF, acusado de estar nas mãos do dono da JBS, Joesley Batista, respondeu à altura. Dr. Vallisney de Souza Oliveira ordenou a prisão temporária de 9 pessoas, a condução coercitiva de 3, e a busca e apreensão em 15 endereços, na operação “Panatenaico” da Polícia Federal (PF).



Os mandados judiciais foram cumpridos pela PF hoje (23/05), no início da manhã. Assistam à reportagem do Bom Dia Brasil abaixo:


Dentre os presos encontram-se personagens ilustres da Capital:

I - Grupo político: ex-governadores e pré-candidatos em 2018

1º Preso: Agnelo dos Santos Queiroz Filho (PT)
Foi eleito em 2010 graças à inelegibilidade de Arruda e ganhou de brinde o esquema supostamente por ele concebido.

2º Preso: José Roberto Arruda (PR)
Eleito em 2006, preso pela PF e cassado em 2009 na operação Caixa de Pandora, é acusado de orquestrar toda a fraude licitatória do Mané. Teria sido o idealizador do esquema criminoso junto com Fábio Simão.


3º Preso: Nelson Tadeu Filippelli (PMDB)
Como vice-governador de Agnelo (PT), teria exigido durante a sua gestão, "o dele".


Observação: todos já estavam inelegíveis juridicamente e politicamente, agora então...
Assistam o vídeo da pré-campanha no Paranoá, do agora ex-assessor especial da Presidência da República, ao Buriti em 2018:



II - Grupo de servidores: ex-servidores públicos ocupantes de altos cargos comissionados

4º Presa: Maruska Lima de Souza Holanda 
Ex-presidente da Terracap (Agência de Desenvolvimento do DF), indicada "a dedo" por Filippelli e nomeada por Agnelo. Avalizadora da insolvência em que a empresa pública do DF se encontra por financiar o antro de corrupção.


Maruska ficou conhecida como a "artilheira de Filippelli" pelos seus feitos na Novacap e, posteriormente, na Terracap, que beneficiaram o grupo político em detrimento dos cofres públicos. Relembrem a matéria do jornalista Mino Pedrosa: Maruska, a artilheira de Filippelli
Vejam, também, o vídeo em que Maruska - em vez de defender o patrimônio público sendo contrária ao financiamento da "reforma" do estádio - defende a obra no Mané Garrincha. Foi ela quem abriu os cofres da empresa às empreiteiras e políticos corruptos que quebraram a nossa Terracap:


5º preso: Francisco Cláudio Monteiro
O ex-chefe de gabinete de Agnelo Queiroz, ex-deputado distrital, ex-secretário “extraordinário da Copa” (extraordinariamente criada para o esquemão) e Policial Civil (imagina só se não fosse).







Por ordem de Agnelo, teria recebido parte da propina da reforma no Mané Garrincha por meio de José Luiz Salomão.

6º preso: Nilson Martorelli
Ex-presidente da Novacap.


III - Grupo empresarial/operacional: empresários e executivos
7º preso: Fernando Márcio Queiroz
Presidente do grupo Via Engenharia.


8º preso: José Luiz Salomão
Suposto operador/intermediário de Agnelo. Responsável pelos repasses ao petista.

9º preso: Sérgio Lúcio de Andrade
Suposto operador/intermediário do Arruda

10º preso: Afrânio Roberto de Souza Filho
Suposto operador/intermediário de Filippelli. Teria recebido 19 pagamentos de propina, levando 4% em cada negociação.


As investigações apontam que o ex-governador do DF, atual deputado federal e candidato derrotado à presidência da Câmara Federal, Rogério Rosso (PSD-DF), também recebeu dinheiro desviado das obras, após a saída de Arruda, Paulo Octávio e Wilson Lima.
Rosso se empenhou no Mané Garrincha. Na foto ele aparece em evento oficial, ao lado do cartola corrupto, negociando que Brasília fosse palco da abertura dos jogos da Copa do Mundo de 2014.
Em resumo: Rosso só não "rodou" também porque tem mandato de deputado federal e, prerrogativa de foro. Só o Supremo Tribunal Federal pode ordenar sua prisão ou investigação.


O Ministério Público Federal representou pelo deferimento das medidas com base nos depoimentos prestados por ex-executivos da mega-empreteira Andrade Gutierrez, responsável pela “reforma” (kkk), do maior elefante branco do Brasil, o Mané Garrincha.


Segundo a PF a reforma do estádio teria sido superfaturada em cerca de R$ 900 milhões, visto que estava orçada originalmente em R$ 600 milhões, mas custou ao final R$ 1,575 bilhão. Por conta destas e outras é que o DF vive o caos atual. Para Agnelo, Filippelli, a companheirada do PT e demais beneficiados do esquemão, valeu a pena. Assista a defesa de Agnelo:


Os mandados de prisão temporária são de 5 dias, podendo ser renovados uma única vez por igual período. Depois, a prisão temporária pode ser convertida em preventiva, ou seja, ficariam presos de vez, à disposição da Justiça Federal.

Mas não ficou por aí. A Polícia Federal cumpriu ainda mandados de condução coercitiva e de busca e apreensão nos escritórios de advocacia do Dr. José Wellington Medeiros de Araújo e do Dr. Luís Carlos Barreto de Oliveira Alcoforado.


Alcoforado foi homem forte no governo Agnelo. Ele não era só advogado do governador, mas seu parceiro de negócios. Relembrem o caso, relendo a matéria do jornalista Mino Pedrosa, publicada no QuidNovi Lavanderia Esporte Clube. Hoje Alcoforado estaria rompido com o ex-governador por supostamente ter "tomado um cano" do petista.


José Wellington ficou famoso ao ter sido aposentado compulsoriamente do cargo de desembargador do Tribunal de Justiça do DF, por comportamento incompatível com a função de magistrado, pois fora denunciado pelo Ministério Público por ter prometido ajuda num processo em que os irmãos Passos eram acusados de prática de grilagem no Distrito Federal. Relembre o caso lendo a matéria do Conjur: Desembargador é aposentado compulsoriamente pelo TJ do DF

José Wellington é suspeito de ter recebido/operacionalizado repasses de propina do Mané Garrincha na gestão petista.

Nos chamou a atenção a não inclusão de uma figura notória no meio político: Fábio Simão. O ex-presidente da Federação Braziliense de Futebol, amigo do ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira (afastado da presidência por corrupção), e ex-chefe de gabinete de Arruda, é considerado mentor intelectual do esquema do estádio Mané Garrincha. Mas não foi alvo da operação. Por quê será? Teria Fábio celebrado acordo de delação premiada e "cagoetado geral"? A questão foi tratada pelo jornalista Odir Ribeiro, do Rádio Corredor: Sobre as prisões de hoje nosso blog já avisava 

Este blog profetizou a prisão destes ilustres personagens da política brasiliense ano passado na matéria: Momento profético 2017.

Profetizarei novamente: Eis que a atual gestão também será atingida por escândalos de corrupção. A Lava Jato demorou, mas enfim chegou à Brasília. E na hora certa. Nas vésperas de 2018.


Segue ilustração do portal de notícias da Globo detalhando o megaesquema criminoso na Capital Federal:


Por Dr. Guilherme Pontes, com informações do Globo, do QuidNovi, do Rádio Corredor e do Conjur.
Advogado e Professor de Direito.












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